A Beleza do Pentecostalismo e a Necessidade da Herança Reformada
A Beleza do Pentecostalismo e a Necessidade da Herança ReformadaEstudo 1 de 5

O Que Nos Une e o Que Nos Separa

Diferenças legítimas, caricaturas e a unidade fundamental dos cristãos no evangelho de Cristo.

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Há quem imagine que ser pentecostal e valorizar a herança reformada é uma contradição. Os estereótipos nos empurram para cantos opostos: de um lado, o pentecostal emotivo, anti-intelectual, desconfiado da teologia; de outro, o reformado rígido, cerebral, desconfiado da experiência. Mas a história e a Bíblia nos convidam a um diálogo mais rico. É perfeitamente possível — e, creio, necessário — amar o Pentecostalismo com convicção e, ao mesmo tempo, beber na fonte da Reforma Protestante. Na verdade, muito do que há de mais forte no movimento pentecostal é herança direta da Reforma: a autoridade das Escrituras, a centralidade da justificação pela fé, a pregação expositiva, a importância da comunhão dos santos e a convicção de que Deus age soberanamente na história.

Neste artigo, quero mostrar que a beleza do Pentecostalismo não precisa ser sacrificada em nome da solidez reformada, nem a solidez reformada precisa ser rejeitada por causa da vitalidade pentecostal. Pelo contrário: quando o fogo do Pentecostalismo encontra a estrutura doutrinária da Reforma, a igreja ganha uma espiritualidade calorosa e uma fé bem fundamentada. E isso é exatamente o que nosso tempo precisa.

A tensão real e a tensão inventada

Não vou negar que existem tensões reais entre algumas expressões pentecostais e algumas tradições reformadas. A relação entre as ordens de Deus e a soberania divina, a continuidade ou não dos dons de milagres e línguas, a forma de entender a santificação e a liturgia são pontos sobre os quais cristãos sinceros podem discordar sem deixarem de ser irmãos. Mas muita da tensão que vemos hoje é inventada: fruto de caricaturas, de ignorância mútua e, infelizmente, de uma competição eclesiástica que não honra a Cristo.

O Pentecostalismo histórico, especialmente nas suas raízes, não nasceu como um movimento contra a Reforma. Ele surgiu no seio do cristianismo protestante, alimentado por pessoas que liam a Bíblia, que conheciam as doutrinas da graça e que ansiavam por uma experiência mais profunda com Deus. A Rua Azusa, por exemplo, foi um avivamento de oração, jejum e busca à Palavra — não uma ruptura com a doutrina protestante. William Seymour, o líder do avivamento, era um pregador metodista-holinês profundamente influenciado pela espiritualidade wesleyana e pela ênfase bíblica do protestantismo.

Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos.

Efésios 4.4-6

O apóstolo Paulo nos lembra que, além das legítimas diferenças de ênfase e tradição, existe uma unidade fundamental que devemos guardar: um só corpo, um só Espírito, uma só fé. Isso não significa uniformidade, mas tampouco permite que nos tratemos como inimigos quando concordamos sobre o evangelho.