Doutrinas que nos unem
Além da *Sola Scriptura* e da justificação pela fé, há uma série de doutrinas centrais sobre as quais pentecostais convictos e reformados convictos podem — e devem — dizer amém juntos. Elas formam o núcleo do cristianismo evangélico e são maiores do que nossas diferenças secundárias.
- 1A Trindade. Deus é um em essência e três em pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Essa fé é comum a pentecostais e reformados, e deve ser defendida com unidade.
- 2A divindade e humanidade de Cristo. Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, o único mediador entre Deus e os homens.
- 3A salvação exclusiva em Cristo. Não há outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos.
- 4A ressurreição corporal de Jesus. O evangelho depende do fato histórico de que Cristo ressurgiu ao terceiro dia.
- 5A volta de Cristo. Ambas as tradições esperam a segunda vinda gloriosa do Senhor, embora com diferenças de interpretação escatológica.
- 6A necessidade do arrependimento e da fé. O homem é pecador e precisa se voltar para Deus, confiando em Cristo.
- 7A santificação como obra do Espírito Santo. Tanto pentecostais quanto reformados creem que a santificação é obra de Deus, ainda que enfatizem aspectos diferentes dessa obra.
Unidade sem uniformidade
Dizer que pentecostais e reformados podem estar juntos no evangelho não significa negar as diferenças. Significa reconhecer que o que nos une é maior do que o que nos separa. Onde a Palavra é autoridade, onde Cristo é central e onde a graça é proclamada, há irmandade real.
Apreço mútuo entre pastores e escritores
Um dos sinais de maturidade espiritual é a capacidade de reconhecer dons e fidelidade em irmãos que não pertencem à nossa tradição exata. Um pentecostal convicto pode — e deve — ler com proveito os reformados. A profundidade de João Calvino, a paixão de Martyn Lloyd-Jones, a clareza de J. I. Packer, a fidelidade expositiva de R. C. Sproul, a robustez teológica de Wayne Grudem e a eloquência de Timothy Keller são bênçãos para toda a igreja.
Da mesma forma, os reformados podem — e devem — reconhecer as contribuições dos pentecostais. A ênfase na oração fervorosa, na expectativa do sobrenatural, na evangelização ousada, na música congregacional vibrante e na compaixão pelos pobres e marginalizados são marcas que o movimento pentecostal trouxe com força ao cristianismo contemporâneo. Muitas igrejas reformadas hoje aprendem com a vitalidade pentecostal sem abandonar sua estrutura doutrinária.
Aquele que é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus.
João 8.47
Ouvir a Palavra de Deus é o critério de pertencimento a Deus. Isso vale para todos os cristãos. Quando um pastor reformado prega fielmente a Escritura, o pentecostal deve ouvir. Quando um pastor pentecostal proclama o evangelho com unção, o reformado também deve ouvir. A voz de Deus não se limita às nossas etiquetas denominacionais.
