O Movimento Pentecostal
O Movimento PentecostalEstudo 4 de 7

A Expansão no Brasil

Do Norte ao Sul: migração, crescimento e organização da obra em todo o país.

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Do pequeno grupo de dezoito crentes reunidos em Belém do Pará em 1911, a Assembleia de Deus se transformou, ao longo do século XX, na maior denominação evangélica do Brasil, presente em praticamente todos os municípios do território nacional. Nesta quarta aula da nossa série, vamos entender como se deu essa expansão extraordinária, quais foram suas principais características e como a igreja avançou rumo a uma organização nacional mais estruturada.

1. Do Norte para o restante do país

A expansão inicial da Assembleia de Deus ocorreu, como vimos, pelos rios da Amazônia, alcançando comunidades ribeirinhas do Pará e, em seguida, de outros estados do Norte e do Nordeste do Brasil. Obreiros e famílias inteiras, tocados pela mensagem pentecostal, deixavam suas cidades para levar o evangelho a novas regiões, muitas vezes sem apoio financeiro estruturado, confiando unicamente na providência de Deus e na hospitalidade das comunidades que os recebiam.

Um dos fatores decisivos para a expansão nacional da igreja foi o fenômeno da migração interna brasileira ao longo do século XX. Nordestinos que migravam para os grandes centros urbanos do Sudeste em busca de trabalho, sobretudo a partir das décadas de 1930 e 1940, levavam consigo sua fé pentecostal, fundando pequenas congregações nos bairros populares das cidades para onde chegavam. Assim, a Assembleia de Deus cresceu, em boa parte, 'de baixo para cima', por meio do testemunho leigo e da mobilidade geográfica do povo simples, e não primariamente por estratégias institucionais de cúpula.

Os que foram dispersos iam por toda parte, anunciando a palavra.

Atos 8:4

2. Características do crescimento pentecostal brasileiro

A historiografia evangélica costuma destacar algumas características marcantes desse crescimento. Em primeiro lugar, sua forte identificação com as classes populares: a mensagem pentecostal encontrou eco especial entre os pobres, os migrantes e os que se sentiam à margem das estruturas sociais e religiosas estabelecidas, oferecendo-lhes dignidade, comunidade e esperança viva. Em segundo lugar, o protagonismo leigo: leigos comuns, muitas vezes sem formação teológica formal, tornavam-se pregadores, evangelistas e fundadores de igrejas, movidos pela convicção pessoal de terem recebido o batismo no Espírito Santo e o chamado para testemunhar.

Em terceiro lugar, destaca-se a ênfase na vida devocional intensa — oração, jejum, estudo bíblico e cultos vibrantes — que caracterizava (e ainda caracteriza) grande parte das congregações assembleianas. Por fim, é digno de nota o caráter essencialmente missionário do movimento desde suas origens: cada igreja recém-fundada rapidamente buscava, por sua vez, plantar novas congregações em cidades e bairros vizinhos, em um processo de multiplicação orgânica e contínua.

  • Forte identificação com as classes populares e os migrantes internos.
  • Protagonismo de obreiros e evangelistas leigos, muitas vezes sem formação teológica formal.
  • Ênfase na vida devocional: oração, jejum, estudo bíblico e cultos vibrantes.
  • Vocação missionária intrínseca, com igrejas plantando novas igrejas continuamente.
  • Crescimento espontâneo, muitas vezes anterior a qualquer estrutura organizacional formal.

3. Os desafios de uma organização crescente

À medida que a igreja crescia rapidamente e se espalhava por regiões distantes umas das outras, tornou-se necessário, com o passar das décadas, buscar formas de organização que preservassem a unidade doutrinária e o relacionamento fraterno entre as diversas congregações, sem sufocar o dinamismo missionário que caracterizava o movimento desde o início. Esse foi um desafio delicado: como manter a vitalidade espontânea de um avivamento popular e, ao mesmo tempo, prover estrutura, ensino sadio e cuidado pastoral responsável para um número cada vez maior de igrejas e obreiros?

Ao longo do século XX, foram realizadas diversas convenções e assembleias entre os líderes das igrejas assembleianas de diferentes estados, buscando alinhamento doutrinário, cooperação missionária e apoio mútuo. Esse processo gradual de amadurecimento institucional culminaria na formação da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), organismo criado para representar nacionalmente a comunhão das igrejas assembleianas, promover a cooperação entre ministérios, cuidar da formação teológica de obreiros e zelar pela fidelidade doutrinária do movimento em todo o país.

4. A importância da CGADB para a unidade da obra

A CGADB não substitui a autonomia local de cada igreja nem centraliza autoritariamente a vida eclesiástica das Assembleias de Deus — a tradição assembleiana brasileira sempre valorizou certo grau de autonomia congregacional e ministerial. Contudo, ela representa um importante espaço de comunhão fraterna, de diálogo doutrinário e de cooperação para causas comuns, como a formação teológica, a ação missionária nacional e internacional, e o testemunho público da igreja perante a sociedade brasileira.

Esse esforço de organização reflete um princípio bíblico importante: assim como a igreja primitiva, mesmo espalhada por diversas cidades e regiões, mantinha comunhão, correspondência e cooperação entre suas congregações — como testemunham as cartas apostólicas e as visitas de Paulo às igrejas que fundara —, também a igreja pentecostal brasileira sentiu a necessidade de preservar sua unidade doutrinária e fraternal, mesmo diante do crescimento vertiginoso e da diversidade regional de seu povo.

Crescimento com responsabilidade

O crescimento numérico, por si só, jamais deve ser tomado como sinal automático de bênção divina, sem discernimento espiritual. A verdadeira bênção está em um crescimento que produza discípulos maduros, doutrinariamente firmados e moralmente íntegros. Por isso, o esforço organizacional das Assembleias de Deus ao longo do século XX buscou, entre outros objetivos, garantir que o crescimento vertiginoso da obra não comprometesse sua fidelidade bíblica e sua qualidade pastoral.

5. Uma obra ainda em expansão

Hoje, mais de um século depois da chegada de Berg e Vingren a Belém do Pará, a Assembleia de Deus está presente em praticamente todos os cantos do território brasileiro, das grandes metrópoles aos vilarejos mais remotos do interior, e se tornou também uma força missionária relevante em diversos países do mundo, enviando obreiros brasileiros para plantar igrejas em outras nações — um belo exemplo de como aquilo que foi recebido de missionários estrangeiros se transformou, com o tempo, em uma bênção enviada de volta às nações.

Que essa história de expansão nos inspire a continuar avançando com o mesmo zelo missionário dos pioneiros, mas também com crescente maturidade doutrinária, cuidado pastoral e responsabilidade histórica diante daquilo que Deus tem edificado, geração após geração, em nossa terra.


Na próxima aula

Estudaremos as principais doutrinas que caracterizam a identidade pentecostal, entendendo com profundidade bíblica o batismo no Espírito Santo, os dons espirituais, a vida de santidade, e conheceremos os fundamentos da Declaração de Fé das Assembleias de Deus. — Daniel Filho