É possível ser pentecostal e reformado?
A pergunta que muitos fazem é se é possível ser pentecostal e reformado ao mesmo tempo. A resposta depende do que se entende por esses termos. Se por 'reformado' se entender apenas uma tradição litúrgica, confessional e eclesiástica específica, então a resposta é: nem todo pentecostal precisa se tornar presbiteriano ou batista reformado para honrar a herança reformada. Mas se por 'reformado' se entender alguém que subscreve a teologia da Reforma — *Sola Scriptura*, *Sola Fide*, *Sola Gratia*, *Solus Christus*, *Soli Deo Gloria* — então a resposta é um sonoro sim. É possível, é desejável e, na minha opinião, é o futuro de uma igreja saudável.
Ser pentecostal reformado, nesse sentido, não significa abandonar a crença no batismo no Espírito Santo, nos dons espirituais ou na vitalidade do culto. Significa ancorar essas convicções na autoridade suprema das Escrituras, na centralidade do evangelho e na solidez doutrinária. Significa crer que Deus ainda opera milagres, mas que esses milagres nunca contradizem a Palavra. Significa cantar com fervor, mas cantar a verdade. Significa orar com expectativa, mas orar segundo a vontade de Deus revelada.
E sede imitadores de mim, como também eu o sou de Cristo.
1 Coríntios 11.1
Paulo podia apontar para si mesmo como exemplo sem arrogância porque sua vida estava subordinada a Cristo. Da mesma forma, pentecostais e reformados podem se imitar mutuamente nas coisas boas, desde que ambos estejam imitando a Cristo.
Conclusão: uma espiritualidade reformada e pentecostal
O Pentecostalismo tem uma beleza incomparável: a ênfase na presença de Deus, na oração, na expectativa do sobrenatural e na urgência missionária. A herança reformada tem uma força incomparável: a solidez doutrinária, a centralidade da graça, a fidelidade à Palavra e a consciência histórica da igreja. Quando essas duas correntes se encontram, o resultado não é uma terceira tradição artificial, mas uma espiritualidade mais rica, mais bíblica e mais madura.
Quero, portanto, encorajar meus irmãos pentecostais a não temerem a teologia reformada. Ela não é uma ameaça; é um tesouro. E encorajar meus irmãos reformados a não desprezarem a vitalidade pentecostal. Ela não é uma ameaça; é um dom. Podemos, sim, ter apreço por pastores e escritores de ambas as tradições. Podemos aprender uns com os outros. Podemos orar, pregar, cantar e servir juntos, desde que Cristo seja o centro.
Que o Senhor nos dê uma igreja que ame a Palavra com a paixão dos pentecostais e que adore a Deus com a ordem dos reformados. Que nos dê uma igreja que clame pelo Espírito Santo sem abandonar a doutrina, e que defenda a doutrina sem perder o Espírito. Essa é a igreja que o mundo precisa ver.
— Daniel Filho
